domingo, 26 de fevereiro de 2012

[Review] Spartacus: Vengeance – 2X03: The Greater Good

Por: Marcello Levi



Seguindo por uma jornada épica.

Spoilers Abaixo:




Numa dramaturgia, artifícios são utilizados para manipular a simpatia do público. Quase sempre, essa manipulação tem o intuito de reafirmar o papel de alguns desses personagens dentro da trama. Vilões e mocinhos podem, com Inteligência, serem reduzidos a vilanices e opostos, o que é diferente, já que caracteriza um comportamento momentâneo e não constante.

Essa semana Spartacus tinha uma proposta perigosa: pelas mãos de Agron, mostrar que muitas vezes as atitudes vilanescas, podem ser importantes para a sobrevivência. Afinal de contas, por mais que quiséssemos Naevia de volta, perder Crixus era um preço alto demais a ser pago.

Em mais uma episódio simplesmente fantástico, reunimos nossas expectativas em torno da escrava desaparecida. E na busca por ela, vamos nos envolvendo cada vez mais com a cruzada de Spartacus contra a tirania de Roma. Por mais utópica que pareça, a luta vai ganhando forma, ao mesmo tempo em que continua deixando muitos corpos pelo caminho.

Já estava claro desde o início que Naevia não estava morta. A artimanha de Agron era dura e terrível para Crixus, mas como vimos, acabou se mostrando um mal necessário. Claro que a postura de Spartacus depois do engodo desmascarado por Nasir, não poderia ser outra. Ele teria traído todos os seus princípios se não tivesse ido para as Minas, e podemos concluir então, que o erro maior reside no ato do próprio Nasir, que não segurou suas culpas e traiu o acordo original.

Foi simplesmente incrível ver a série caminhando de modo tão seguro para cada etapa desse caminho. As Minas representam todo o horror da escravidão e também representam a força dramatúrgica da série. O encontro com Naevia, no entanto, teria sido muito mais intenso se isso não representasse ter que lidar de novo com a troca de um rosto familiar por um totalmente estranho. A troca de atrizes foi um balde de água fria.

Correndo por fora, Ashur continuava sua saga pelo posto de personagem mais filho da mãe da história. Ao lado de Lucretia, que como vimos deve sua sobrevivência a ele, o sírio protagonizou o episódio que melhor fez jus ao título da temporada até agora. Vingança na sua forma mais pura. Claro que a espada não ter transpassado Crixus ao final do embate indica uma sobrevida possível para ele. Eu não consigo imaginar os roteiristas perdendo a chance de reunir Crixus com Lucretia novamente.

A volta de Gannicus, agora que o Doctore sabe da verdade, pode tornar o ludus novamente interessante. Isso se o retorno do gladiador não se der do lado de Spartacus, que também não vai sossegar até reaver Crixus, caso ele sobreviva.

E temos mais uma semana sem movimentações partindo de Ilithyia, o que me entristece. Já temos um indicativo de que ela não está satisfeita com o marido e que sua gravidez pode representar um risco para ela. Já está quase cantado em verso e prosa que uma hora dessas, Lucretia vai dar com a língua nos dentes e contar que Spartacus pode ter tido tempo de plantar sua semente.

Sinto pela separação de Nasir e Agron, mas ainda acho que a chegada ao Vesúvio, embora atrasada pelos acontecimentos das minas, acontecerá num futuro próximo.

Acho que agora que tudo isso aconteceu, pode ser que os próximos episódios privilegiem o minimalismo das relações. A utopia de Spartacus pode esperar um pouco mais, enquanto assistimos as implicações do provável (please God) reencontro entre Crixus e Lucretia, Spartacus e Ilithyia e Gannicus e Doctore.

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