As coisas estão acontecendo, então porque ainda não me animei de verdade?
Spoilers Abaixo:
Os motivos podem ser muito simples: o excesso de material referencial, ou a necessidade cansativa de prestar atenção aos detalhes, já que séries assim parecem ter se tornado obrigatórias desde Lost. O fato é que Alcatraz está se esforçando pra lançar mão das já conhecidas “perguntas que com o tempo serão respondidas” e com isso marcar território onde, com muito esforço, outras tiveram seu brilho. Não é uma tarefa fácil, e por isso, tudo parece pouco convincente até agora.
Não me entendam mal, Alcatraz está bem acima da média do que vemos por aí. Aquela linha “prisioneiro da semana” ainda não é, pra mim, um de seus maiores atrativos, mas protege a série de exageros e mantém o interesse de quem busca mais ação e menos obrigação. É carisma que ela ainda não tem, e que está fazendo tanta falta. Até porque, Jorge Garcia sozinho não salva uma série inteira.
Conhecemos essa semana então, o prisioneiro Cal Sweeney, que assim como os outros, está super à vontade nos nossos tempos. Enquanto numa semana vemos um prisioneiro a serviço de “alguma coisa”, e na outra, a serviço de si mesmo, essa semana Cal parecia dividido entre ambas. De um lado, corria atrás de algo que parecia conectá-lo ao que vimos no jantar na casa do diretor em 1960. Uma conversa sobre “substituição de memórias” que imediatamente nos remete à frase de Cal com uma de suas vítimas: o que eu quero é a história. Talvez tenhamos aí uma razão ou um apontamento sobre a mitologia em torno dos prisioneiros.
As pistas estão deslizando para nós. Estão sim, admito. As chaves recuperadas que têm uma conexão com aquela espécie de porão onde o diretor leva o colega de Cal, e para onde teria levado, segundo minha teoria, todos os que representavam algum benefício “futuro”. Não duvido que Cal e os antecessores que vimos até aqui, também tenham entrado naquela sala.
Se formos levar em consideração que se trata do quarto episódio, temos até bastante coisa em pauta. Daria até pra traçar alguns paralelos importantes tendo um prisioneiro como base:
Cal Sweeney
Porque era importante: Porque conseguia abrir cofres. Se no futuro algo crucial para a missão estivesse guardada em algum cofre, ele seria valioso.
O que teria sofrido: Partindo do princípio que a transferência de memórias tenha alguma relevância para a trama, sua perda pessoal poderia ser reduzida a fragmentos, desse modo, ficou o sentimento incompleto com relação a própria história, gerando uma psicopatia que o faz buscar referências alheias.
A missão no presente: Conseguir as chaves que, antes, abriam o “porão” onde prisioneiros necessários para alguma coisa, eram levados para um possível “recrutamento”.
A ação inesperada: Cal é vítima de um dos colegas da prisão, que acaba sendo notado e possivelmente, “recrutado”.
Soltos no meio de tudo isso, estão frases soltas sobre prisioneiros com sangramentos nasais (se é que eu entendi bem) e sangramentos nasais são clássicos em tramas sobre viagens no tempo ou abduções alienígenas. Pode ser bobagem, mas eu sou paranoico. E ainda não sabemos também qual era o acordo entre E.B. e Cal.
Sinto confundir os leitores quanto a gostar ou não da série, até porque, eu mesmo estou confuso. Avalio positivamente a série, mas ao mesmo tempo, tenho certa preguiça com relação a ela. Talvez provocada por essa estrutura de presente e passado que já se exauriu no universo televisivo. Está presente aqui, em Once Upon a Time (ótima) e numa variação quântica, está presente também em Fringe. Eu percebo as qualidades, mas ao assistir ao episódio, me vejo entediado por essa estrutura que é, principalmente em Alcatraz, quase sacra.
Torço por ela, sinceramente. Um novo hit na minha TV não me faria mal algum.

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