quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

[Review] Spartacus: Vengeance – 2×02: A place in this world

Por: Marcello Levi



A liberdade não é para todos.

Spoilers Abaixo:



A equipe de roteiristas de Spartacus precisava lidar, no seu retorno, não só com a morte do ator principal, mas também com a pressão histórica. Por tratar-se de um personagem real, Spartacus, independente da liberdade criativa, tem um destino traçado e determinado, e não dá pra fugir dele.

Digamos então que a história desse ícone histórico chegou na sua parte mais perigosa: aquela que pode acabar ficando chata. E o motivo é aquele mesmo… Temos que falar da cruzada socialista do personagem e em como ele iniciou a maior revolta de escravos da época. O problema é que Spartacus sempre foi uma série de dimensões restritas às emoções de um núcleo e agora precisamos ver a expansão desse domínio. E isso significa o quê? Mais personagens e conflitos políticos.

O segundo episódio então começa dando destaque ao maior exemplo dos efeitos da revolta dos escravos: Oenomaus. Voltamos ao dia em que ele foi descoberto pelo patriarca Batiatus e levado para o treinamento no ludus. As intenções desse retorno são claras: mostrar ao público que Gods of Arena tem uma função importante para a mitologia da série e reforçar a ideia já transmitida na primeira temporada, de que ser um escravo/gladiador era melhor – embora doloroso – do que não ter lugar nenhum na sociedade.

O paralelo é feito então com Tiberius, o escravo íntimo libertado por Spartacus. E que assim como Oenomaus está bem em sua função. Nada mais emblemático do que a primeira cena em que ele aparece, sendo ordenado por seu dominus a penetrá-lo no ânus enquanto ele próprio – o dominus – penetra uma escrava (os romanos na vanguarda dos prazeres da próstata). Independente de todo o transtorno de ser um escravo sexual, “ser” alguma coisa é sempre melhor do que não ter “título” algum.

E é nessa tecla que a série precisa bater agora. A revolta dos escravos é parte importante da trajetória histórica e é claro que isso inclui dar atenção a como isso afetaria esses personagens. E por tratar-se de Spartacus sabemos que as chances de isso ser muito bem planejado, são muitas.

Estou ansioso por um embate entre Ilithyia e Spartacus. Todo mundo já sabia que a moça tinha gostado da pegada dele, mas eu quero ver como ela vai lidar com esse sentimento e se terá coragem de ir adiante. Com Lucretia vindo pela lateral, de mansinho, preparando sua vingança, pode ser que Ilithyia nem chegue na metade da temporada. A personagem é ótima e temo que seu destino seja apenas o de antagonizar com Lucretia ou arquitetar sua execução.

Aliás, nada mais bacana do que ver Lucretia sendo tratada como o Oráculo. Dando uma de feiticeira e fazendo uma aliança profana com Ashur, um personagem do qual nunca gostei muito, mas que parece insistir em resistir à morte.

E falar dessas duas personagens (Lucretia e Ilithyia) logo me faz pensar no quanto será chato se a permanência delas na série for apenas com o intento de manter a identificação do público. Pela lógica, ambas deveriam ter morrido no massacre do ludus, e a sobrevivência deveria significar mais do que uma briga de gato e rato pra ver quem mata quem primeiro. A não ser que as duas ou uma das duas ganhe novas posições dentro da mitologia, ficaremos com essa impressão de oportunismo que, é bem verdade, não será bem vinda nessa temporada de crise.

Curiosamente, e não sei se propositadamente, a figura de Spartacus foi a menos notável nesse segundo episódio. O que faz sentido, afinal de contas, ele tem o seu lugar no mundo. Assim como Crixus, que na sua busca por Naevia tem o existencialismo suprimido pelo amor.

Estou apostando em ótimos momentos para Tiberius e também naquela garota que conversou com Ilithyia e que ainda não decorei o nome. Como sempre, a experiência de assistir Spartacus continua sendo violenta e sexista, mas também continua sendo intensa e desbravadora.

Polegar pra cima (eles vivem): Quintus aparecendo na infância, cool.

Polegar pra cima (eles vivem): Tiberius vai formar par romântico com aquele seguidor do Spartacus ou não? Curto a maneira tão respeitosa como os gladiadores tratam as relações gays.

Polegar pra baixo (eles morrem): Aquele ator que fez Oenomaus jovem, nada a ver!

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