domingo, 19 de fevereiro de 2012

[Review] Revenge – 1×14: Perception

Por: Laio Andrade



Jack Porter, fita VHS. Fita VHS, Jack Porter. Prazer.

Spoilers Abaixo:



Depois de um longo, triste e solitário hiato, Revenge está de volta com mais um episódio de tirar o fôlego, desenvolvendo sua trama de forma chocantemente rápida e surpreendente. Não tão surpreendente, claro, quanto o fato de Jack Porter não fazer ideia do que seja uma fita VHS e que tipo de aparelho é necessário para assisti-la. E, se vocês, como eu, saberiam que equipamento utilizar sem precisar da ajuda do Nolan, deprimam-se: estamos ficando velhos.

Será mesmo? O único jeito de saber é lançar a pergunta a vocês, jovens leitores: alguém aí não sabia o que é uma fita VHS nem tinha ideia de qual é o equipamento que roda essa relíquia?

Crises de idade à parte, um dos aspectos mais interessantes de “Perception” é a decisão de usar Jack como personagem-chave do episódio, fazendo com que ele guiasse as ações dos demais personagens e gerasse impacto no destino e comportamento de todos eles.

O problema é que Jack não tem aquela discrição que a gente ama nos personagens de Revenge. Assim que descobre tudo, o mala faz questão de ir lá e botar a boca no trombone, espalhando a crise para todo o elenco da série. Definitivamente não gosto da maneira como Jack resolve as coisas. Sou mais fã do estilo furtivo de Emily, Nolan e Victoria. Mas, se isso o levar a descobrir os mistérios que cercam os Hamptons, a trama pode ficar interessante.

Mas vamos falar de coisa boa: e o convite para a festa de noivado? Que coisa chique, não? Mesmo contra a união, Victoria Grayson se recusa a abandonar o glamour. Prova disso foi a versão “casual” da indumentária da madame ao chegar ao bar para almoçar com Declan. Só faltou pedir champanhe! Victoria para a próxima temporada de “Mulheres Ricas” já!!!

Deixando as brincadeiras um pouco de lado, de uma forma geral, este episódio agiu em favor da rainha, garantindo-lhe uns pontinhos a mais no nosso conceito. Mesmo sendo um pouco tarde, admirei o esforço da nossa adorada vilã para aproximar-se da filha. E o carinho que Victoria demonstra ao assistir às gravações de David Clarke me faz até esquecer as maldades e planos da megavilã, incluindo aí chamar a cavalaria – ou seja, o sogro.

Assim, vovô Grayson caiu de paraquedas nos Hamptons, e esse foi um plot twist bastante inusitado: Conrad, que até agora vinha sendo o grande e poderoso executivo da série, transformou-se instantaneamente em peixe pequeno com a chegada do pai. Edward Grayson é um personagem tipicamente detestável, daqueles que só se importam com o próprio umbigo e com a manutenção de seu império. Felizmente, em Revenge, esse tipo de comportamento é regra, e não exceção.

O mais interessante de se observar nesse arco é a necessidade que os roteiristas sentem de pintar alguém como o novo carrasco cada vez que um dos seus vilões demonstra traços de humanidade. Como Conrad mostrou que tem coração por meio da relação com a filha, precisávamos de alguém insensível. Esse alguém é o chato do pai dele, que passa o episódio inteiro sendo um babaca para no final se retirar dando lições sobre valores familiares. É mole?

Por outro lado, Conrad continua um estrategista capaz de corromper todos à sua volta, como vimos em seu diálogo com Ashley. Mantenho minha posição de acreditar que Ashley é uma das personagens mais interessantes da série. Gosto de ver o roteiro impondo várias tentações e más influências à inglesa para nos deixar na expectativa de como ela vai reagir. Felizmente, desta vez, Ashley não foi volúvel como tem sido, e não me decepcionou. O problema é que a situação está começando a ficar cansativa, já faz algum tempo que ela está só na promessa. Caso a personagem não ganhe importância logo, a falta de propósito da sua existência pode se tornar algo de caráter permanente.

Quem nunca mais me decepciona é nossa querida Amanda. Não consigo me perdoar por ter caído em outra pegadinha da série: a falsa retirada de uma personagem regular. Mas fiquei muito feliz por ver minha periguete preferida firme, forte, e não levando desaforo pra casa. Gostaria de saber por quanto tempo Emily vai continuar cometendo o erro de achar que está sempre por cima da carne seca. É claro que enganar Amanda é uma péssima ideia, e nossa protagonista, quase ingenuamente, jurava que poderia fazê-lo e sair ilesa dessa história.

O resultado é um deleite para noós, espectadores, com Amanda invadindo a casa de Emily e encontrando sua caixinha mágica com todas as verdades, segredos e planos de vingança da série. É claro que essa caixinha era um potencial desastre – me lembra a coleção de lâminas de Dexter, só que bem mais mal escondida e acessível. Sempre que ela aparecia, eu quase podia ouvi-la gritando “Gente, vou ser violada, socorro!”

O terreno está todo preparado, o próximo episódio, já foi exibido nos EUA poucos minutos após eu ter escrito esta review, e retornará à famigerada sequência do piloto, possivelmente revelando a resposta que estamos procurando desde então ou, na pior das hipóteses, culminando no cliffhanger que nos levará a ela. Por isso, façam suas apostas aqui nos comentários enquanto podem, mas, aos mais apressadinhos, um pedido: sem spoilers, hein? 


Observações:

- Jack, que estava meio abobalhado ultimamente, acaba de fazer Daniel comer poeira no quesito esperteza. A ingenuidade do galãzinho de Revenge me irrita tanto que, por mais anticlimática que seja a possibilidade de ser mesmo ele o morto, a ideia até me deixa feliz.

- Nolan, o Grilo Falante oficial de Revenge (triste, isso), não aprendeu ainda que a solidão é sua fraqueza. Trair Emily mostrando o vídeo para Jack foi claramente um erro.

- Só eu estava torcendo pra ver Charlotte bêbada e malucona dançando no balcão e periguetando pelo bar?

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