sábado, 18 de fevereiro de 2012

[Review] Fringe – 4×12: Welcome to Westfield

Por: Laio Andrade



Entrando no mundo de Once Upon a Time e O Mágico de Oz.

Spoilers Abaixo:




Assim como num bom queijo suíço, Fringe está provando a teoria de quanto mais sabemos, menos entedemos e, por mais que isso soe como um paradoxo, é nesse exato momento em que a série fica potencialmente mais interessante.

Acho que sou do contra. Quando fico diante de um episódio que me deixa zonzo é que percebo o quanto gosto de Fringe e porque realmente assisto a série. Estou completamente perdido e é maravilhoso notar que, bem no meio da temporada, toda teoria é válida e inválida ao mesmo tempo.

Para mim, o episódio dessa semana trouxe de volta aquele sentimento de expectativa alucinada que eu sentia com a 3ª temporada. Meus olhos ficaram arregalados o tempo todo e eu não acreditava no que estava na tela, com mil perguntas martelando na minha cabeça. Afinal, o que os produtores e roteiristas de Fringe pretendem? Eu sei a resposta dessa pergunta: enlouquecer-nos. Estão realmente conseguindo.

Prestando atenção em tudo o que despejaram de informações até aqui, o que se percebe é uma imensa salada, que tem o intuito de nos confundir. Os caras querem nos surpreender e estão trabalhando duro nessa missão. Começamos com a insinuação de linhas temporais alteradas pela ausência de Peter e passamos para a insinuação de dois novos universos.

Sinto que somos uma bolinha de ping-pong e que somos jogados a cada hora para um lado. Em algum momento alguém vai ter que fazer o ponto e ficaremos de um lado da mesa. Decidi parar de apostar em apenas uma coisa e já penso em Fringe dentro dessas duas possibilidades. Aviso, no entanto, que não ficarei chocado se nos apresentarem uma terceira resolução completamente diferente, em que descobrimos que tudo isso é apenas uma alucinação da vaca Gene que usou LSD demais.

Por enquanto, quem parece estar numa situação bizarra é Olivia. O que está se passando na cabeça dela é um grande mistério e pode ter tudo a ver com as injeções extras de cortexiphan que ela recebe até hoje. Efeito colateral ou não, o fato é que ela parece estar com duas consciências ao mesmo tempo e uma delas está ganhando a briga.

Para mim, não é que ela esteja se lembrando de Peter e dos acontecimentos anteriores. Não de forma tradicional. É como se ela recebesse uma transferência de dados e tudo se transformasse em verdade absoluta e rotina. Como se aquele conhecimento novo não fosse novo e sempre estivesse contido na cabeça dela.

Numa lembrança normal ela ficaria questionando o fato daquilo não estar ali antes. Olivia não tem um insight do tipo “putz, lembrei!”. Nada disso. Ela cita o caso de Edina (2×12-Johari Window) como se aquilo fosse real para ela. Mais tarde ela recebe Peter com o jantar como se aquela fosse apenas mais uma sexta feira do casal.

Ela não questiona nada disso, não estranha (só um pouco, quando Walter não se lembra de Edina e Peter afirma ter trabalhado nesse caso em sua timeline) e, já no final, ela sequer parece saber que Peter um dia surgiu no lago Reiden, com a história de que ele tinha sido apagado. Melhor ainda: se Olivia se lembra de tudo (como alguns cogitam), porque ela não comenta sobre o desaparecimento de Peter, em primeiro lugar?

Claro que são apenas suposições que devem ganhar alguma base a partir do próximo episódio. Não acho que isso confirme 100% que estamos lidando com lados A e B alterados, embora eu tenha a tendência de acreditar mais nisso. Poderia ser também uma transferência de memórias de outra Olivia para ela, o que caberia na teoria dos lados C e D, mesmo que eu continue questionando o quanto essas “lembranças” são convenientes, já que Peter falou sobre o restaurante e a tradição das sextas-feiras antes que ela o tratasse como se nada jamais tivesse acontecido.

Vale ressaltar também que o que acontece com Olivia não é, absolutamente, fruto da estadia dela em Westfield. Acredito que o “sonho azul”, em que ela está com Peter na cama, em meio a declarações de amor já era um sinal e talvez esse “sintoma”, fosse notado por Peter e Walter se todos eles estivessem fora da cidade de onde não se pode sair.

O caso de Westfield, assim como o de Olivia, não exclui nenhuma das duas teorias em andamento. A única certeza é a de que Peter, em qualquer dos casos, seria o provável único sobrevivente, por não possuir dopplegangers. A “desertificação” da cidade poderia ter acontecido tanto em lados A e B, como em C e D, sob comando de David Robert Jones, com alguma (muita) ajuda de Nina Sharp.

Não dá para entender qual é o objetivo deles, entretanto. Aposto apenas na possibilidade de Westfield ter sido um “teste”, como se eles estivessem se certificando do poder de destruição do anfilício antes de executar um plano final. Mas qual é o grande plano megaevil? Impossível de prever até agora.

O que me assustou foi ver que, se dependesse de mim e das minhas habilidades de encontrar a BISSETRIZ, todos teriam morrido/desaparecido. Fico pensando que estaria lascado num Fringe Event desses, em que aulas de matemática e física ajudam a salvar vidas. Fora isso, o paralelo de Westfield com a “loucura” de Olivia foi muito bem traçado, mostrando muito bem as consequências que esse tipo de “brincadeira” cientifica pode trazer, relembrando, inclusive, outro episódio excelente da série, (2×14) “Jacksonville”, onde dois edifícios (um de cada universo) colidem, gerando mutações e grandes estragos.

A relação entre Peter e Walter, cada dia mais próxima, me faz desejar que essa seja apenas a realidade A alterada. Morro de pena de Walter (de qualquer Walter, em qualquer universo) só de pensar nele perdendo o filho novamente, justo agora que já começa até a sair do laboratório.

Os progressos para que Peter possa operar a Máquina do Apocalipse continuam e ele já é a interface biológica, mesmo que ainda não seja possível conectar o leitor genético à engenhoca em si, o que não deve demorar.

Não sei se foi apenas uma forte impressão minha, mas na sequência da queda do avião, acabei lembrando muito de Lost e juro que ouvi aquele “PÔ da série da Ilha antes de começar a abertura de Fringe. Como não vi ninguém comentando sobre o assunto, pode ser que eu esteja vendo referências onde elas não existem.


Aliás, aproveitando que essa cena veio à baila, o Observador está bem ali, próximo ao caminhão, assistindo de camarote a mais esse estranho caso que só Walter consegue explicar.

O interessante é notar que Fringe entrou nas histórias de Once Upon a Time, assim como Storybrooke, Olivia, Peter e Walter não podiam sair da cidade assim como qualquer cidadão. Por outro lado, a citação sobre Brigadoon é legítima referência, lembrando a história da cidade que só aparece a cada cem anos e de onde é impossível sair. O Mágico de Oz também volta a aparecer nos diálogos, dessa vez com Olivia mencionando que Peter deveria fazer como Dorothy, batendo os tornozelos e pensando no lugar que ele chama de casa, para que assim, conseguisse retornar.


O Glyph Code é uma menção bastante óbvia à Olivia e seu novo estado mental. OLIVE remete à infância e aos tratamentos com cortexiphan, o que pode vir a confirmar que essa confusão de memórias tem origem nas injeções.

Nenhum comentário:

Postar um comentário