sábado, 18 de fevereiro de 2012

[Review] Alcatraz – 1×05: Guy Hastings | 1X06: Paxton Petty

Por: Laio Andrade


A boa certeza sobre Alcatraz são as dúvidas.

Spoilers Abaixo:  


E quando falo isso estou querendo dizer que algumas das outras certezas não têm sido boas o suficiente para tornar o programa um hit. Estamos certos sobre as qualidades técnicas, mas falta envolvimento e não, o atraso com a review não tem a ver com isso. Ela veio um pouco tarde, mas as impressões sobre a série permanecem em pauta desde que ela começou.

De fato, quando uma série começa é ótimo quando ela já se estabelece como boa ou ruim. Isso facilita o trabalho, porque o desenvolvimento da review já tem seu esqueleto básico. Elogiar ou depreciar são as duas coisas mais simples de se fazer diante de uma crítica. Difícil mesmo é quando o que você está criticando, fica situado naquele limbo da inexpressividade onde é impossível – se você quer fazer um bom trabalho – dizer se o que você vê é ruim ou bom.

Pra mim, por enquanto, Alcatraz é isso aí. Uma série correta, que eu assisto tecnicamente. Sem conseguir, em nenhum instante, me envolver com absolutamente nada. Sem torcer por absolutamente nada. Passando 45 minutos em frente à TV, com a mesma “cara de caneca”.

E no episódio Guy Hastings, mais uma vez, os roteiristas foram esforçados. Acho que cientes de que a torcida pessoal é importante para o fã, começaram a estreitar a mitologia e a envolver a família Madsen em tudo. O problema é que eu ainda não consigo acreditar nos dramas daqueles personagens. E embora eu reafirme que a série tem grande apuro técnico e parece saber realmente o que está fazendo, continuo indiferente. Curiosamente meu único e frágil ponto de atenção é justamente Jorge Garcia. Onde eu achava que ia implicar de cara, reside o melhor personagem.

Descobrimos a ligação fortíssima entre Ray e Tommy, e que embora pareça cheia de uma certa dose de fraternidade no passado, pela cena final podemos concluir que não foi algo que perdurasse. E o episódio deu todas as pistas de que os segredos que envolvem o que aconteceu em Alcatraz residem em seus sobrenomes.

Guy foi um dos desaparecidos que mais gostei até agora. E isso não tem a ver com o fato de que ele foi um dos que nos deu algumas respostas sobre aquela noite. Segundo ele, tudo foi muito mais instantâneo do que poderíamos prever, embora jamais saibamos o quanto disso não vem contaminado por quem lhe deu essas estranhas “ordens”. Não vou estranhar se até o final da temporada, tudo mudar completamente de posição. Com a maneira como as coisas estão acontecendo, sinto que um giro se aproxima e que será capaz de nos mostrar que a coisa não se restringe apenas a capturar esses homens e mulheres, e entender como eles pularam na linha do tempo sem sofrer os efeitos dele.

Rebbeca também tem um trunfo agora. Saber que é muito mais necessária que necessitada vai ajudar-lhe a extrair de Hausen mais do que aquela cara de “sei muito mais que você”. Enquanto isso, os roteiros vão adiando um encontro derradeiro entre ela e o avô. Ainda não sabemos até que ponto Tommy se envolve com esse parentesco e até que ponto Ray adotou Rebbeca por puro altruísmo.

Fiquei pensando sobre a névoa… A névoa que cobriu a prisão antes dos guardas serem levados para a enfermaria. Tem horas que tudo parece apontar pra explicações muito mais práticas do que lúdicas, mas sempre que me vejo perto de torcer pela série, percebo que esses momentos dizem respeito ao imponderável. Sobre névoas, lapsos, impressões.

Paxton Petty explodia coisas nos anos 60 e um dia ele acorda em 2012. Residem nesse prisioneiro da semana, outras boas pistas sobre o que teria acontecido na prisão. Mesmo que ainda pareça que alguns dos desaparecidos saibam mais do que outros, no caso de Paxton, não havia missão, não havia conhecimento algum de coisa nenhuma. Só o desejo de continuar explodindo. Ele dá uma noção do quanto se sente confuso diante daquilo, mas nunca podemos apostar realmente o quanto de ligação ele tem com os efeitos desse salto temporal. Afinal de contas, nenhum episódio até agora, além do piloto, mostrou a aparição de um prisioneiro exatamente do ponto em que se deu a percepção de que tantos anos se passaram.

 Hausen toma o procênio e os roteiristas tentam salvar Sam Neil da inércia de sua interpretação, ao revelar que a ligação dele com Lucy é maior do que pensávamos. Uma pena que para Sam talvez não haja mais salvação. Nem com a iminência da morte, ao pisar numa mina, ele pareceu dedicado a fazer-se crível. Assim como para Rebbeca, que a cada semana só cristaliza a impressão que temos dela: a de que entrou forte na disputa pelo cargo de “sem sal da semana”.

 O episódio ajudou a manter uma correlação com tudo que vem sendo mostrado até então. O diálogo de Lucy com Tommy foi bem instigante e o detalhe da doação de sangue também interfere no julgamento. Não será nada surpreendente se uma ligação afetiva entre os dois culminar com o reencontro no presente vigente. Em todo caso, também não podemos esquecer que em algum momento Hausen e Lucy se reencontraram. Ela ainda jovem. Ele muito velho, e muito diferente do homem que ela conheceu. Fico totalmente perdido quando paro pra pensar que não há muito sentido nas ações de Hausen. Levar Lucy só agora para o médico da prisão, para que ela fosse “reparada” me leva a crer que alguma coisa desse remendo não fará bem à moça, já que sua atitude mostra que ele preferiu esperar pelos meios convencionais de cura. E só depois, apelou.

 E com tudo isso acontecendo sou obrigado a concordar que no que diz respeito ao enredo, a série parece segura. A questão é que os produtores têm recorrido a um distanciamento dos personagens, e isso meu amigo, não funciona. A cada semana, só vamos vendo os personagens não-reagindo ao que acontece anteriormente. Com exceção de Soto, que com suas referências nerds continua conseguindo manter a conexão com o público, não há nenhum outro personagem que se comunique bem com os eventos da série. Como acreditar numa protagonista como Rebbeca? Ela está descobrindo um turbilhão de coisas sobre seu passado e presente, e continua apática sobre absolutamente tudo.

 Por fim, Alcatraz segue em sua primeira parte de temporada sendo tudo, menos empolgante. Apesar disso, eu tenho esperanças de que tantas pontas soltas se amarrem em algum ponto, e que tudo comece a parecer mais orgânico e não aleatório. Tanto descaso com personagens só pode ter a ver com importância dramatúrgica. Seremos recompensados no futuro, eu acho.




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