Eileen (Angelica Huston) e seu marido são dois produtores da Broadway que durante anos trabalharam juntos. No entanto, os dois estão se divorciando e a separação não é amigável, o que pode prejudicar o andamento do novo projeto do casal: um musical sobre a vida de Marilyn Monroe.
A despeito dos problemas entre eles, o processo de pré-produção do musical tem início. Derek (Jack Davenport, de “FlashForward” e “Swingtown”) é contratado para ser o diretor e coreógrafo. Apaixonado pela ideia de um musical sobre Marilyn, Derek parece ser a escolha ideal para o projeto. Mas, tudo indica que ele seja homofóbico, o que o leva a ter uma postura pouco profissional no trabalho, onde está cercado por bailarinos gays.
Para compor as músicas, os produtores contratam a dupla Tom (Christian Borle) e Julia (Debra Messing, de “Will & Grace”). Ele é gay assumido o que o leva a bater de frente com Derek, com quem já teve problemas há alguns anos atrás.
Spoilers Abaixo:
O pessoal que pegou birra de séries musicais por causa de Glee deve esquecer completamente disso. Smash não é uma série adolescente escrita por Ryan Murphy. As comparações devem parar na questão do gênero.
Smash é uma produção absolutamente madura e delicada, que capta perfeitamente o clima de bastidores da Broadway, construindo sua história sob diversos aspectos e visões. Desde o surgimento de uma ideia banal e aparentemente sem futuro, passando por todo o processo criativo e de produção, audições, escolha da equipe, patrocinadores, problemas financeiros e, claro, aquela pitada de drama pessoal, que não faz mal a ninguém e ajuda a enriquecer a trama.
Para quem está acostumado a fazer o papel apenas de público nos espetáculos, acredito que Smash será um bom parâmetro para o entendimento de como esse mundo funciona e de como é difícil construir um show de sucesso, especialmente um sobre o ícone Marilyn Monroe.
Quase numa brincadeira, os compositores Julia (Debra Messing) e Tom (Christian Borle) começam a pensar na possibilidade de emplacar um musical sobre Marilyn (de preferência um que dê certo, já que outros tentaram e não foram bem sucedidos na missão). Quando a primeira canção escrita e interpretada por Ivy Lynn (Megan Hilty) cai sem querer na Internet causando furor, o projeto começa a tomar forma e ganha, logo de cara, uma produtora, Eilleen Reid (Anjelica Houston) que vai a busca do diretor certo para o trabalho, mesmo que Tom e Julia não fiquem muito animados com a ideia de ter Derek Wills (Jack Davenport) por perto.
Para Ivy Lynn, atriz com experiência e que busca o papel que vai finalmente alçá-la ao sucesso, o papel de Marilyn estaria garantido, não fosse, é claro, pelo teste de Karen Cartwright (Katharine McPhee), uma típica garota do interior tentando ser atriz em New York, cheia de sonhos, apesar de receber muitas respostas negativas.
Nesse começo da série, é a briga pelo papel principal, que determinará o sucesso de toda a produção e que deve motivar os plots centrais. Recheando a história temos belíssimos números musicais, que misturam os testes com o resultado final, quase como se estivéssemos imaginando todo aquele trabalho finalmente transformado em espetáculo.
O show não pode parar e é assim que o segundo episódio de Smash continua a agradar, com números musicais impecáveis e atuações de qualidade. Impressionante o carisma do elenco como um todo, mas em especial, de Katharine McPhee, que é, de fato, uma estrela. Toda vez em que ela começa a dançar é impossível não arregalar os olhos e prestar a maior atenção. A moça é talentosíssima e até aqui, leva com facilidade a responsabilidade de ser a protagonista.
Mas se em Smash Katharine já conseguiu ser o centro das atenções, em Marilyn-The Musical, Karen ainda precisa provar seu valor. Impressionante como um episódio que tratou apenas do callback teve tanta coisa acontecendo. O aproveitamento das cenas e da temática é realmente um ponto forte da série, que encaixa com perfeição as canções e coreografias.
À parte da disputa entre Karen e Ivy Lynn, o que mais chama a atenção é justamente isso. A parte vocal de ambas é impecável e sou honesta ao dizer que torço por Karen, mas não sou contra Ivy Lynn, em momento algum.
Assim como Derek, o diretor e coreógrafo, explicita, uma tem a inocência e o “cheiro de novidade”, enquanto a outra exala sensualidade e o drama que sempre envolveu a imagem clássica de Marilyn.
Por esse motivo, cheguei a cogitar que Julia e Tom surgissem com a ideia de trabalhar essas “personalidades” de Marilyn lado a lado, escalando Ivy e Karen para o mesmo papel. No entanto, todo o contexto do episódio me faz pensar que o caminho natural é o de Ivy sofrendo algum tipo de acidente, deixando uma oportunidade para Karen brilhar em seu primeiro papel. Isso não é spoiler (eu não leio spoilers), é apenas uma constatação óbvia do que deve ser utilizado como solução no roteiro, porque está claro que Karen é a pessoa destinada a ser Marilyn na Broadway.
Ivy Lynn, por outro lado, mimetiza perfeitamente os trejeitos da atriz. As cenas em que ela fala como Marilyn, faz biquinho e até ri de forma idêntica são impressionantes e captam muito bem o estilo apresentado nos filmes clássicos. Ivy está realmente envolvida com o projeto e quer ser Marilyn mais do que tudo, tanto que não desperdiça a chance de dormir com Derek e incentivá-lo, por assim dizer, a escolhê-la. O teste do sofá é uma realidade e parece que funciona. Para Karen a oportunidade passou e fica claro que no momento em que ela mergulhar ainda mais nos ensaios, sua relação com Dev ficará abalada.
Enquanto isso, Eilleen ainda tem problemas a resolver com o ex-marido e quase perde a colaboração de Derek na produção. Cena linda em que ela joga o Manhattan na cara do velho, me fazendo rir bastante. As implicâncias de Julia com Ellis, o assistente de Tom são outro fator cômico, que fica diminuído quando a história da adoção volta à baila.
A carta para a mãe adotiva foi lindíssima, mas fiquei intrigado com algumas coisas relacionadas a isso. Primeiro, Frank, o marido que ficou enchendo o saco para adotar uma criança e obrigar Julia a largar seu trabalho para se dedicar ao processo, resolve que DOIS anos são o limite de sua velhice e que assim ele não quer mais brincar.
Não sei como foi que esse homem achou que adoção é uma coisa instantânea, igual a pedir pizza e esperar o entregador. Essa mudança de atitude dele foi meio absurda, mas não tanto quanto ver Leo, o filho do casal, fazendo uma birra homérica porque NÃO IA GANHAR UMA IRMÃZINHA CHINESA DE NATAL.
Desculpem, esse drama é absolutamente irreal. Não existe no mundo um adolescente com idade próxima de ir para uma universidade que se importe em ter uma nova irmãzinha para brincar. Adolescentes não querem irmãos, querem carros, videogames e Iphones, sejamos bem honestos.
Fiquei completamente boquiaberto e desconfortável naquela cena em que ele pede para que “mamãe vá buscar a irmãzinha” porque o que vai acontecer “ se não formos buscar minha irmãzinha”. Foi bem bizarro. Mesmo.
Os produtores executivos de Smash incluem Steven Spielberg e Craig Zadan & Neil Meron (Chicago and Hairspray). Os compositores são Marc Shaiman and Scott Wittman (Hairspray).

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