Awake é um drama intrigante sobre um detetive (Jason Issacs, de Harry Potter e Brotherhood) que descobre que está vivendo uma vida dupla que desafia a realidade. Quando Michael Britten (Issacs) recupera sua consciência após um acidente de carro envolvendo sua família, ele descobre que sua esposa Hannah (Laura Allen, de Terriers) faleceu, mas seu filho, Rex (Dylan Minnette, de Saving Grace), sobreviveu.
Enquanto ele tenta reorganizar sua vida, ele acorda mais uma vez em uma realidade paralela onde sua esposa está viva, mas Rex morreu no acidente. Para manter as duas pessoas que ama vivas ao mesmo tempo, ele começa a viver nas duas realidades em mundos paralelos, o que é sinônimo de confusão — de um lado, ele e sua esposa pensam em ter um filho para substituir seu filho, enquanto na outra realidade ele está apaixonado pela professora de tênis de Rex, Tara (Michaela McManus, de The Vampire Diaries), candidata a ser sua nova namorada.
Spoilers Abaixo:
A forma como a fotografia é usada para diferenciar as duas realidades, é simples, porém muito eficaz. Na realidade onde a esposa de Michael está viva, as cores quentes são predominantes e o aspecto contemporâneo domina a decoração dos ambientes. Já na realidade onde o filho está vivo, as cores frias prevalecem com uma decoração mais moderna. Sem falar no elástico que o protagonista usa no pulso para diferenciar os dois mundos.
O roteiro é igualmente fantástico e traz ótimos diálogos entre Michael e os psiquiatras de ambas as realidades, que esbanjam argumentos a prova de balas para justificar sua existência e provar que a outra realidade é um sonho. A confusão do protagonista em diferenciar o que é o sonho e o que é real, ultrapassa a tela e faz com que o expectador termine o episódio sem a mínima certeza do que é real e do que é sonho. Outro ótimo aspecto do texto de Awake é referente aos casos que o detetive Michael precisa resolver nas duas realidades. São dois casos completamente diferentes, com parceiros diferentes, mas com pequenos detalhes semelhantes, que se acabam ajudando misturam entre as realidades e ajudam Michael na resolução final.
Awake é aquele procedural ideal, com os típicos casos da semana, e uma história de fundo completamente intrigante e nada óbvia. O elenco é muito competente, a começar por seu protagonista Jason Isaacs, que está fantástico na pele do detetive Michael e entrega performances brilhantes de angustia, dor e decisão. Destaque também para Cherry Jones, que interpreta a psiquiatra do lado frio.
O que é sonho é o que é realidade? Essa simples pergunta, o “grande mistério” da série, é a conexão que Awake tenta fazer com o público, e eu me senti completamente envolvido por essa questão. É interessante notar, que o episódio termina com a declaração sincera de Michael sobre o preço que ele está disposto a pagar para manter sua esposa e filho vivos, mesmo que isso seja apenas um elaborado sistema de defesa do seu subconsciente. Ele está disposto a sacrificar sua sanidade mental e quem sabe ser até mesmo uma ponte entre as duas realidades, e é exatamente isso que acontece na conclusão do episódio quando sua esposa pede para Michael dizer ao filho que ela o ama.
E por mais que Awake seja simplesmente genial, é exatamente essa “premissa complicada” que me deixa preocupado com o fracasso inevitável da série. O americano médio não gosta de coisas muito complicadas, principalmente o público da NBC (nunca vou te esquecer, Kings), mas assumo que vou ficar extremamente feliz se eu estiver enganado. Torço pelo sucesso de Awake, mas duvido muito.
PS – A estreia oficial de Awake é só no dia 1 de Março, mas a NBC já disponibilizou o episódio piloto no site oficial.

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